quinta-feira, novembro 29, 2007

EXCLUSIVO | Entrevista com Jerry Seinfeld

DOCA - Antes de mais, e tendo em conta que o Jerry é uma estrela, gostaríamos de saber porque aceitou dar esta entrevista.
SEINFELD - Bom, digamos que não me restavam grandes alternativas... Entre isso ou ouvir o novo disco de uma cantora do vosso país [Seinfeld refere-se a José Castelo-Branco], preferi optar por esta espécie de entrevista. Além disso, a granada que a vossa equipa de repórteres pendurou no meu pescoço era pesada. Pesada e inestética.
Como foi conhecer Nuno Markl?
Foi bom. Sobretudo para ele.
O que lhe disse quando o viu?
Qualquer coisa do género: «então, trabalha em Lisboa? Faz stand-up? Escreve comédia?». Nada de invulgar, portanto. Tinha de perguntar alguma coisa. Há mais de 3 horas e meia que o homem estava de olhar prostrado aqui na vedeta do showbizz.
E ele, o que respondeu?
Não percebi. Creio que tenha dito qualquer coisa parecida com isto: «se o Miguel Galrinho estivesse aqui, até se grissava todo!». Isso e também algo do género: «até me apetece mascar Magic Tronc»...
E o Jerry, o que disse?
Dei uma enorme gargalhada, dei-lhe uma palmada nas costas e, com toda a coragem, atirei: «então, trabalha em Lisboa? Faz stand-up comedy? Escreve comédia?».
E ele, e ele, Jerry??? Diga-nos: o que respondeu ele???
Nada.
Mas a conversa entre o Jerry e o Markl resumiu-se a isso ou assumiu contornos, digamos, mais inteligentes?
Claro que sim! Convenhamos que, até aqui, estávamos demasiado presos ao peso do sucesso - sobretudo do meu. Fomos beber um sumo de ananás e comer umas tapas. A páginas tantas, aconteceu aquilo que, para mim, foi a maior loucura de todos os tempos: o homem saca de um umas cuecas e diz-me: «toma. São tuas. De mim para ti».
E como reagiu o Seinfeld?
Achei apenas piada aos bonecos. Faziam mesmo lembrar o homem...
E aprendeu algumas palavras em português?
Sim.
Por exemplo?
«Camandro». E também «c'o a breca».
E depois??? E depois, Seinfeld???
Calma! Afastem esses dedinhos da granada... Bom, depois ficámos por ali, comemos umas tapas, bebemos mais uns sumos de ananás, eu vesti as cuecas, ele disse que ficavam bem, eu concordei e ele atira: «20 euros e este livrinho é teu, Jerry!».
Livro?
Sim. Chamava-se «Opus-qualquer-coisa»...
E...?
Ele acrescentou: «e por outros 20 euros levas um rabisco estampado na primeira página com o meu nome! Aceita esta promoção, c'o a breca!!»...

quarta-feira, novembro 28, 2007

DEVANEIOS | E agora algo completamente diferente

Crítica à crítica do Vasco Pulido Valente sobre o «Rio das Flores»

Contextualizando: o PÚBLICO pediu a Vasco Pulido Valente para escrever uma recensão crítica ao «Rio das Flores», o novo romance de Miguel Sousa Tavares. O resultado pode ser lido AQUI (mas evitem agora dispersar-se desta minha genial crítica à crítica do Pulido Valente. Leiam mais tarde, por favor. Obrigado).
Escusado será dizer que o marido da Constança Cunha e Sá não gostou do livro. Ou melhor: mais do que não ter gostado do livro, o Vasquinho passa um atestado de incompetência ao Miguel, acusando-o de ser «superficial», «ignorante», «pobre» e «invulgar». Para evitar confusões de maior, 'El Vasco' faz questão de frisar: "discuti neste artigo um livro e um autor, não estou disposto a discutir a pessoa de Sousa Tavares." Uff!!! Se a opinião acerca do livro é o que é, nem quero imaginar como seria um artigo de opinião sobre o próprio Miguel Sousa Tavares!...

A análise de Vasco Pulido Valente é de tal forma exaustiva que vai ao ponto de afirmar: "No Rio das Flores há 17 descrições de comida. Dessas 17 só quatro ou cinco (e com muito boa vontade) se justificam." Primeiro: Vasquinho, não é «No Rio das Flores». É «Em "Rio das Flores"». Depois, ficava-te bem colocares uma vírgula a seguir ao título do livro (na escola primária não te ensinaram a separar as orações?). Já agora: mais uma vírgulazinha a seguir a «Dessas» e - garanto-te - a tua frase estaria gramaticalmente espectacular. Com essa idade, talvez não haja muito que fazer. Em todo o caso, camarada Vasco (e atendendo ao programa de alfabetização que o governo criou para a terceira idade), podias terminar a 4.ª classe. Vê lá isso, Vasco.

Vasco Pulido Valente entende, portanto, que só se aproveitam 4 ou 5 dos 17 pratos de comida descritos. Muito provavelmente, o marido da Constança Cunha e Sá não gosta dos restantes. Vai daí e decide censurar tudo o que vai para além do seu bom gosto. Avante. Vamos a mais uma pérola do Vasquito: "Há quem se entretenha com esta espécie de produto [«Rio das Flores»], mas não se trata com certeza de literatura." Pois não, Vasco. Tens razão. Vendo bem, aquilo nem é um livro. É, antes, a secção de anúncios de beleza das Páginas Amarelas, camuflada por uma capa que diz «Rio das Flores».

Literatura, aquilo? Nem pensar! Mais vale perder tempo a ler os rótulos das embalagens de lixívia do que a nova obra de Sousa Tavares. Eu falo por mim: depois de ter lido a crónica do marido da Constança Cunha e Sá, fiz questão de ir buscar o «Rio das Flores» à estante, regando-o com alcóol 100% puro. Enchi um pequeno assador de barro com centenas de páginas do livro a arder vertiginosamente. E grelhei um belo chouriço. Realmente, constatei que não foi por utilizar as folhas do romance que o meu chouriço ficou mais rico - o que comprova claramente a teoria de Pulido Valente, que diz que o «Rio das Flores» é pobre. Eu diria mais: é pobre e não acrescenta sabor à comida. Vou mas é ali buscar a embalagem do Tide Máquina. Ontem, deixei a leitura do rótulo a meio e estou curioso por saber como é que termina aquela junção toda de ingredientes marados e biodegradáveis...

sexta-feira, novembro 23, 2007

DEVANEIOS | E agora algo completamente diferente

Tendo em conta este invulgar acontecimento, não é de admirar que numa das próximas edições do jornal «Ocasião» venha qualquer coisa parecida com isto...

quinta-feira, novembro 22, 2007

POLÉMICA | Há «Lodo do Cais»

Com lama até ao pescoço

Para poupar os leitores da maçada que é conhecer os contornos desta blogo-novela, a Doca resume os últimos capítulos. A saber: há uns dias, um tal de "José António Galvão", do blog «Há Lodo no Cais» (onde se tenta fazer crítica de cinema), atacou ferozmente o assumido amadorismo de Nuno Markl em matéria de - justamente - crítica de cinema. A «marklofobia» é de tal ordem que "José António Galvão" esgrimiu argumentos do género:

"Markl, é, em boa verdade, o porta-estandarte da grunhice assumida, da geração «Curto-Circuito». (...) Markl é o líder dos que fazem da grunharia uma forma de vida. (...) É uma espécie de anti-intelectual-que-afinal-até-quer-ser-intelectual-mas-gosta-de-ser-cool-e-que-gostem-dele. (...) Markl abandonou a crítica cinéfila profissional, concessionando esse ramo da holding cultural familiar à irmã Ana, que, como crítica do Blitz e depois do semanário Sol, provou ter as duas linhas de currículo necessárias para escrever profissionalmente sobre cinema em Portugal. (...) Conclui-se que Markl está um pouco para o cinema como Gualter Baptista está para o milho trangénico."

Sem querer alimentar polémicas, a Doca tem o prazer de convidar "José António Galvão" para uma sessãozinha de cinema (em local à escolha), sentado aqui:

terça-feira, novembro 20, 2007

DICAS ÚTEIS | Para iniciados na arte de acender lareiras

Não há fumo sem fogo

Num post recente (ver AQUI), o radialista Nuno Markl queixa-se da falta de habilidade para tarefas tão rotineiras como acender uma lareira. É simples, Nuno. Até a Anabela é capaz, caramba. Mas avante... Posto isto, a Doca decidiu interromper estes últimos dias de retiro espiritual, nos picos da Serra da Estrela, para explicar o segredo de uma boa labareda. Eis, portanto, mais um conselho de borla para o homem que nos deve uma entrevista (estamos aparvalhadamente em retiro espiritual, mas a entrevista não está esquecida, caro Markl...).

1. INTRUSOS NA CHAMINÉ
Depois de um ano inteiro repleto de calor, eis que, de repente, começa a fazer frio. Safa! E pensava o Sr. Mark que esta coisa das alterações climáticas tinha acabado com as noites de geada, hein? Primeiro passo: desobstruir a chaminé (é o local ideal para os pássaros de Benfica nidificarem). Como? Atando várias vassouras em série, umas atrás das outras, até se obter um potente «desobstruidor» de 15 metros que seja capaz de galgar ferozmente pela chaminé acima. Depois é só abanar.

2. A LENHA
É importante frisar que a lenha molhada não arde. Repetindo: N-Ã-O arde. Quer dizer, até pode arder... mas, caro Markl, só deves recorrer a esta alternativa caso queiras obter dentro de casa o efeito de uma «smoke machine». Nesta situação acaba por ser chato, uma vez que o fumo da lareira (e ao contrário do fumo da «smoke») é capaz de ser um pouco tóxico. E mete cheiro na roupa - o que é bastante mais aborrecido. Em resumo: lareira só com lenha seca.

3. A CHAMA
Jamais confundir «lareira» com «incêndio». São dois termos completamente incompatíveis. Sabemos que o desejo de ver umas fagulhas a saltar pela casa inteira é mais forte, mas convém tentar controlar o incendiário que há dentro de nós...

domingo, novembro 04, 2007

TESTE | O livrinho de Markl posto à prova por peritos

Formato desadequado, papel de má qualidade e quantidade insuficiente de páginas para, por exemplo, chegar aos armários superiores da cozinha. Estas são as críticas apontadas por uma dona de casa da DOCA ProTeste que testou - até à exaustão - o «Há Vida em Markl: Opus 2». Guilhermina Sousa (chamemos-lhe assim) aponta outro defeito: o preço. Na mesma grande superfície onde costuma comprar os detergentes e as toneladas de latas de salsicha (o marido adora salsichas à brás), Mina (como é tratada pelos amigos) encontrou outros livros bem mais úteis e muito mais baratos do que a obra de Nuno Markl.
Vejamos: o Almanaque do Tio Patinhas estava apenas a 1,95 euros (o que, em termos de conteúdos, acaba por ir dar ao mesmo - mais caracteres, menos caracteres, o que importa é que tenha bonecada). Ou até mesmo a revista Maria se apresenta como uma excelente alternativa (com preço de capa a rondar 1 euro). Também não dá para chegar aos armários superiores da cozinha, é certo, mas depois de descobrir como atingir o «ponto G», quer lá saber a Guilhermina dos armários...

sábado, novembro 03, 2007

NÓS TAMBÉM VAMOS PASSAR POR LÁ...

Markl este sábado no Festival de BD da Amadora

A sessão de autógrafos está marcada para as 15h. A Doca tem esperança de que, desta vez, seja possível avançar (finalmente) com a entrevista a Nuno Markl. Já seleccionámos o repórter incumbido de fazer o serviço. É o pequeno Tiaguito. Está aqui em baixo, na foto.